domingo, 21 de junho de 2009

Nosso Alpendre



"Alpendre é lugar de conversar, de rever os amigos e familiares, jogar conversa fora sem se preocupar com tempo. É lugar de acolhida, de servir um café, um bolo, um abraço, ..ver imagens, ler um bom texto..e discutir, conversar uma boa conversa..."

domingo, 31 de maio de 2009

O Hóspede

Já passava das 23:30h daquele dia. Aliás, mais um dia puxado e de muito trabalho. Estava exausto!
Meu corpo e mente só pediam a minha "baladeira".
Havia tocado impacientemente a campainha várias vezes, e nada de virem abrir o portão para que eu pudesse entrar em casa.
Quando, de repente, um sujeito com a aparência de um "sem teto", chega perto de mim e pergunta:
- Sua mãe está aí?
E eu já irritado pela demora, respondi sem dar muita atenção a aquele homem, que por sinal estava meio "mamaguaçado":
- Tô esperando que venha alguém abrir o portão.
- É que eu vou dormir aqui hoje, pois tenho que está bem cedo num lugar perto daqui. Justificou-se ainda meio sem graça.
- Agora só me faltava essa! Pensei comigo e ainda mais irritado pela demora porque ainda não abriram o portão. E aí emendei:
- Bora, mamãe, que ainda tem uma pessoa aqui querendo falar com a Senhora! Bradei puxando com força o ar, pois estava muito cançado.
- Que, menino? Há uma hora dessa? Tô indo... Ah! É o Chico fulano de tal (não me recordo do nome do sujeito)... Ele já tinha me pedido pra dormir aqui hoje - respondeu minha mãe jogando as chaves para que eu pudesse abrir o portão e entrar finalmente em casa.
Nesse instante, o meu sobrinho, Albertinho, que já estava dormindo, também veio até a varanda para ver o que estava acontecendo.
Abri o portão, deixei aquele homem entrar e subi como uma bala as escadas, sem dar muita atenção pra ele.
Minha mãe me entregou um cobertor. O Albertinho, o travesseiro com o qual estava dormindo. E eu... nada hospitaleiro, entreguei-lhe o cobertor e o travesseiro e ouvi:
- Pode deixar! Vou dormir aqui mesmo no chão.
Subi novamente as escadas, pois não queria perder nenhum minuto do meu precioso sono.
Depois fui dormir.
No outro dia, bem cedo, fui acordado com uma voz, dizendo:
- Abre aqui que eu preciso ir.
Fiquei ainda mais aborrecido, pois ainda não era a hora, como de costume, de me levantar. Meu pai abriu o portão pra que ele pudesse sair.
Foi aí que me dei conta da grosseria cometida. E com os dedos entrelaçados atrás da cabeça, disse:
- Puxa vida! Jesus esteve aqui em casa e eu deixei ele dormir no chão!

Que o Eterno nos ajude!
Abração a tod@s!

sábado, 11 de abril de 2009

Quando começa a Eternidade?

A pergunta mais apropriada seria "Quando a Eternidade começa a fazer sentido?"
Quero falar a partir do que tenho percebido na estrada.
Desde que me entendo por gente ouço e leio que "O Eterno" está para além do tempo, não tem (ou contém) início nem fim.
Muito difícil e complicado sair do campo das evidências dos sentidos. Dar asas à imaginação a partir do que somos, fomos, devemos ser e podemos ser é vitalizador.
Assim, num lapso de tempo, instante, momento, ou outro termo que se aplique à Eternidade, foi que o Eterno resolve criar a humanidade, conforme a sua imagem, segundo à sua semelhança. E viu o Eterno que era bom!
E mais uma vez, na busca de avançar no conhecimento do Eterno, tentava encaixar essas idéias de imagem e semelhança nas aulas de matemática, quando ouvia o professor falar em conjunto imagem, semelhança de triângulos e das funções f(x)=y. Lembro-me de uma vez que um dos meus professores interrompeu a aula e disse: "Planeta Terra chamando Wendel, câmbio". Aí vocês imaginam, né? A rizada foi geral! Eu e minhas solucionáticas, heim?!!!! heheheh!!
Mas há alguns dias atrás ouvia a Amelhinha cantando

"Foi Deus que fez você
Foi Deus que fez o amor
Fez nascer a eternidade
Num momento de carinho..."

Aí, voltei a pergunta que fiz no início e disse: a Eternidade começa a fazer sentido num momento de carinho. E qual teria sido esse momento de carinho? Quando o Eterno disse "façamos o homem". Quando a Palavra do Eterno se fez gente como a gente e armou sua barraca no nosso meio.
Eternidade, carinho, amor: palavras que se iter-relacionam e nos revelam o sentido do "eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância" (Jo 10.10); do " faze isto e viverás" (Jo 10. 25-37); de "a vida eterna é esta" (Jo 17.3); e por aí vai...
Palavras que expressam bem que

"Foi Deus que fez a gente
Somente para amar
Só para amar".

Abração a tod@s!

domingo, 15 de março de 2009

Quem somos nós neste mundo complicado?

" Se chegarmos a dormir
somos os sonolentos de Deus
E, se chegarmos a acordar
estamos nas mãos Dele.
Se chegarmos a chorar
somos a nuvem cheia de pingos de chuva
E, se chegarmos a sorrir
somos dele o relâmpago.
Se chegarmos a raiva e a batalha
é o reflexo da ira de Deus.
E, se chegarmos a PaZ e ao perdão
é o reflexo do amor de Deus.
Quem somos nós neste mundo complicado?"

[Djelal und-Din Rumi(1207-1273), poeta Afegão]

sábado, 31 de janeiro de 2009

EINSTEINIANDO

Ontem fui prestigiar meus dois primos, Alan Kardec e Diego Gustavo, que se apresentaram com a Banda Nanogiga no Palco da Passalera do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, Ceará.
E para minha surpresa, eu que gosto da "Nossa Língua Portuguesa", vi e ouvi um inteligente jogo de palavras.
Gostei da saída encontrada pelo Ari Barbosa, compositor das músicas apresentadas no show, para encarar o tempo.
Confiram...

E=mC² (é igual a eme cê dois)
Talvez possamos ir bem depois.

Quem sabe, a hora é essa
de apressar a pressa,
pois um mais um não vai ser só dois.

Tudo é relativo
e o tempo, ativo.

Meu bem, que estudou a equação,
encontrou a solução.

E=mC² (é igual a eme cê dois)
A tese é de um alemão.

A minha amada é massa,
e massa é energia,
e o resultado é alegria.

Pois velocidade
desacelera a idade.

-Se for bem pertinho à da luz,
a velhice não vai ser cruz.

E=mC²
E=mC²
E=mC²

(Einsteiniando, de Ari Barbosa)
www.myspace.com/nanogiga
nanogiga1@hotmail.com

Abração a Tod@s!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Meus dedos

Meus dedos às vezes me surpreendem.
Fico cheio deles quando me sinto intocável.
Quando o ver e o julgar são meus e não de alguém
Meto os dedos pelos olhos de outrem: atitude abominável.
Dedos que, quando curvados, somam-se ao punho cerrado
E cedem ao capricho traiçoeiro e incontrolável
De empreender força e poder, num gesto obcecado.

Dedos que quando confabulam por vezes me traem.
Querem para si, o dom do rei Midas - mito ou realidade? Não importa.
O fato é que Baco, com pesar, consentiu o desejo do pobre homem.
E o poder do toque de ouro, prosperidade tola, escolha torta
Logo trouxe ao monarca horror, desespero, aflição.
E aí meus dedos viraram-se para mim, abrindo assim a porta
Dizendo: é tudo efêmero, passageiro, vão. Queres morrer de inanição?

Dedos justapostos, gesto de reverência, fragilidade,
[contrição.
Dedos entrelaçados que retardam o agir,
[procrastinação.
Dedos que insistem em não se encolher
Apesar da dor dos anéis que se foram e dos que ainda se vão,
[não temer.

Indicadores e médios estalados: som, ritmo e cadência.
Mindinhos que não se dobram sem os anulares:
Força da dependência ou poder natural da influência?
Dedos presentes até na promessa escoteira
Indicador, médio e anular nos lembram, como uma flor de lis
O compromisso para com Deus e a Pátria brasileira,
Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião, assim o promessado diz.

Dedos que individualmente nos ensinam também na lida.
Polegar que funciona como termômetro da vida:
Para baixo: tô fraco, devagar, negativo, sem futuro, vaia em “u”;
Para cima: beleza, legal, positivo, pode crer, tudo azul!
Médio que quando altivo oprime toda mão,
Torna-se feio, grosso, mal educado, inconveniente, torpe palavrão.
É cascudo violento, bronca, malvadeza, tolice, esforço em vão.

Indicador em riste é dono da verdade, todo orgulhoso.
Tem mínimo, anular e médio como antítese incontestável;
Obriga o polegar a colocar alguém como mentiroso.
O anular, onde ordinariamente encontra-se algum anel,
Quer seja de formatura, compromisso, aliança, tucum,
Insiste em nos perguntar, às vezes, com gosto de fel:
Ei, psiu! Por ventura esquecestes que és tu?

O mindinho é completude, virtude, simplicidade!
O Presidente Luis Inácio Lula da Silva, mecânico, torneiro
Não pode fazer conchinha nem coçar o ouvido, verdade!
Não parou com a prensa que a vida lhe deu, em frente, companheiro!
Até Baden Powell, na África, aprendeu essa lição de amizade:
Sela o aperto de mão esquerda, do lado do coração do guerreiro
Que baixa o escudo em reconhecimento, confiança, sinceridade!

Dedos meus com os quais sempre converso
Ponta com ponta: polegares no queixo, indicadores sobre o nariz,
Reflexões tamanhas, pensamentos e enredos em prosa e verso
É como pondera, às vezes ligeiro, outras sem pressa, o eterno aprendiz.
E assim seguem os dez dedos meus.
Partes contidas no todo desse humano corpo:
Morada do Espírito, Templo de Deus.

Abração a tod@s!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O que quer dizer cativar?


Essa é uma pergunta que vira e mexe me faço com frequência.
Mas, segundo a raposa, cativar significa criar laços. É ter necessidade um do outro.
E ela completa: "Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora como música".
E a raposa pede: Por favor, cativa-me!
E qual é a nossa resposta... igual a do principezinho: "Bem quisera, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer".
Mas a raposa insiste: "A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
E após um longo diálogo entre o principezinho e a raposa, temos algumas pistas a serem seguidas:

=> Paciência mais que a linguagem. "A linguagem é uma fonte de mal entendidos".

=> O rito "é o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração..."

=> Querer e deixar-se cativar: "Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis, disse a raposa".

=> "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos". Esse é um dos grandes segredos da vida: gastar tempo nos nossos relacionamentos. Lição importante que não devemos esquecer: " Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".

Não esperemos 2009 chegar!

Baixemos nós as pontes levadiças dos nossos castelos e fortalezas ao som do mais tímido e simples Toc-tOc-toC.

Cativemos e deixemo-nos cativar!

Abração a tod@s!


(Adaptado de "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry)